Existe um momento em que as coisas se desamarram. Aí você acorda muito
cedo e, como se fosse uma carta que atravessou o oceano, o e-mail chega
todo amassado, quase aberto. E as palavras são doces e o café está
quente na caneca e os passarinhos cantam. O nó se vai e você sorri de
amor, simples assim. Amor desses puros, de faz de conta, de casamento
atrás da porta, de beijo de mentirinha. De repente, você, dentro do seu
vestido amarelo comprido demais porque tem que servir até o fim do ano,
encontra o menino que usa o sapato dois números maior porque tem que
durar até o próximo aniversário. E vocês se entendem e dão as mãos e
riem baixinho, porque sabem que são da mesma turma. Então você esquece
que tem que voltar cedo pra casa, que não pode subir na árvore com ele
porque as mãos vão ficar com calos e sua mãe não vai gostar. E você
sobe, e você passeia pelos galhos, em uma manhã bem bonita de
outono. E, lá de cima, no ramo mais alto, as coisas se desamarram de
uma vez e você olha para o alto e vê o céu bem azul, respira fundo e
acha bom. E não cai. Porque, ali, te segurando, existem umas palavras
nada duplas, uma mão de verdade que te acalma se você ficar com medo de
cair.
Tão simples...
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